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Escândalo no STJ e ações na Justiça colocam sob holofotes o assédio sexual

Ministro Marco Buzzi foi afastado após casos revelados por VEJA. Processos trabalhistas aumentaram 41% em um ano

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 • Fonte: Revista Veja
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AFASTADO - Buzzi: o destino do juiz depende dos colegas de toga, que já falam em aposentá-lo

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Parte do arcabouço institucional que emergiu da Constituição de 1988, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nunca viveu crise semelhante à que, nos últimos dias, fez tremer o prédio saído das pranchetas de Oscar Niemeyer, em Brasília. No centro de um enredo que pior fica quanto mais fios se puxam, está um dos ministros da Corte, Marco Aurélio Buzzi, de 68 anos. O magistrado foi acusado por duas mulheres, uma atrás da outra, de ter abusado de seu poder, extrapolado a fronteira mais básica do respeito mútuo e violado um princípio fundamental da liberdade individual: o direito de dizer não. Em ambos os casos, revelados pelo editor-executivo Robson Bonin, da coluna Radar de VEJA, Buzzi teria feito, segundo o relato das vítimas, investidas que, aos olhos da lei, são crimes que repousam no mesmo escaninho das violações de cunho sexual — uma violência à qual as mulheres, mesmo sob a moldura da sociedade moderna, emancipadas que estão no mercado de trabalho e na vida, ainda são submetidas com frequência espantosa.

A primeira a falar sobre o ministro foi uma estudante de 18 anos que se hospedou na casa dele em Balneário Camboriú, Santa Catarina, para uma temporada de férias com os pais. Conhecia desde a infância o juiz, a quem acusa de tê-la chamado para um banho de mar. Dentro da água, de acordo com seu depoimento à polícia, ele tocou suas nádegas e a pressionou contra o pênis, impedindo-a de se afastar. Já na areia, disse algo como “você é sincera demais”, sugerindo que expor o ocorrido poderia prejudicá-la. Ajudada pela mãe, uma renomada advogada, ela fez justamente o contrário e registrou boletim de ocorrência, desencadeando uma sequência de procedimentos em diferentes instâncias que apuram o que foi enquadrado como importunação sexual.

Na segunda-feira 9, com o assunto subindo de temperatura, uma ex-funcionária do gabinete do ministro se imbuiu de coragem e mencionou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo menos quatro abusos físicos sofridos nas mãos do juiz. Entregou ainda a gravação de uma conversa com a chefe do gabinete em que expõe a constrangedora situação e cobra providências. A resposta: “O que posso fazer? Ele é ministro”. Chegaram a mudá-la de turno, para que não esbarrasse com o magistrado, e mais tarde foi instalada em outro departamento. Estão em curso agora investigações que giram em torno do assédio sexual. Em consequência do escândalo, Marco Aurélio Buzzi foi temporariamente afastado de suas funções, em decisão unânime e inédita dentro do STJ.

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A assustadora trama que inundou as redes e monopolizou as conversas em todo o país aguarda desfecho, mas o que se viu até agora já é um avanço extraordinário em relação a denúncias de assédio sexual. As mulheres sempre foram as maiores vítimas — e continua sendo assim. O que mudou foi o comportamento de boa parte delas diante dos ataques. Em um passado não tão distante assim, quando aquela mão-boba masculina deslizava sobre a perna da colega em pleno expediente, escalando para modalidades mais explícitas, o avanço acabava alojado em uma deletéria prateleira dos assuntos incômodos e invariavelmente impronunciáveis. O silêncio se encarregava de encobrir o que o atrasado caldo de cultura à época classificava como uma paquera fora de hora.

Pois o mundo deu tantos giros que, nos anos 1970, com o movimento feminista a toda nos Estados Unidos, uma funcionária da prestigiada Universidade Cornell soltou a voz sobre os toques íntimos indesejados que recebia de seu supervisor. Logo Carmita Wood juntou um monte de colegas no campus que trouxeram à luz as investidas sexuais de acadêmicos com quem trabalhavam. A revolta em Cornell converteu-se em um livro que repousa nas estantes da sociologia como leitura obrigatória —

Se o resultado no curto prazo foi devastador para Carmita Wood, forçada a se demitir, o que ficou para a história é um daqueles salutares sacolejos, capazes de imprimir uma mudança de olhar na sociedade, inclusive no Brasil. Um recente levantamento da Justiça do Trabalho reforça o quanto as que são alvo de violência de tal natureza no exercício da profissão, o contexto preferencial dos abusos, estão cada vez mais dispostas a cutucar as feridas e recorrer às vias legais. Em 2025, o número de denúncias experimentou um extraordinário salto de 41%. Ao todo, foram 10 728, a esmagadora maioria de mulheres, dando cara e voz ao fenômeno, um recorde. É um marco a ser celebrado, sem dúvida, mas deve ser posto em perspectiva. Uma pesquisa da rede social LinkedIn mostra que a fatia de brasileiras que afirmam ter sido assediadas no trabalho é de 35% — um vasto estrato da população que, como se vê, não está representado em igual proporção no rol das denúncias, trilha percorrida por apenas uma de cada dez vítimas. E a razão é perversa. “Muita gente que denuncia carrega um estigma, em uma absurda inversão de valores”, observa a psicóloga Alessandra Almeida.

A reportagem de VEJA ouviu o relato de dez mulheres egressas de áreas diversas, entre artistas, políticas e empresárias, que decidiram remexer episódios de assédio sexual, sete delas pela primeira vez. Esses casos significaram um divisor de águas por tê-las modificado para sempre. Para uma parcela, a ferida nunca fechou por completo, como relata a atriz Suzana Pires, 49 anos. Era sua primeira novela na extinta TV Manchete, e ela, uma jovem de então 19, via diretores e produtores flertando com o elenco feminino no set. Um dia, foi sua vez: sem testemunhas em volta, um chefe tentou agarrá-la, a mais explícita das investidas que vinha sofrendo. Suzana o empurrou e se livrou dele, mas não do castigo — foi cortada do papel. “Meu corpo respondeu. Em um mês, engordei 8 quilos, tive queda de cabelo e urticária. Meus pais me colocaram na terapia, da qual nunca saí e onde aprendi a me defender”, conta.

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MARCHA - Movimento #MeToo: mobilização global deu visibilidade ao tema e coragem às mulheres

Estresse, ansiedade, depressão, insônia — todos são males associados a tal violência, conforme mostra um amplo estudo da Universidade Harvard. Por cinco anos, os pesquisadores acompanharam centenas de mulheres, listando as inúmeras cicatrizes deixadas pelo assédio sexual, a começar pelo abalo à saúde mental. O impacto na carreira é também cruel: 80% das entrevistadas deixaram o emprego em um intervalo de dois anos, seja por não suportarem mais o ambiente, seja porque foram dispensadas. Isso mesmo: foram duplamente punidas. Assim aconteceu com Maytê Zaiden, 36 anos, que, meses após assumir uma diretoria em um banco de São Paulo, foi sumariamente demitida depois de perseguida pelo próprio CEO. “Ele arrumava desculpas para ficar perto de mim. Um dia, tentou me beijar, e saí correndo da sala. Não demorou e fui dispensada por justa causa”, relata, passo a passo, o enredo que terminou com o fim de seu casamento. “Meu marido me culpou pelo assédio”, diz Maytê, que mudou de cidade com os dois filhos e abriu uma consultoria imobiliária em Goiás.

Planeta afora, os avanços no campo jurídico vieram tempos depois do reconhecimento do assédio como uma chaga a ser debelada. Em 1986, a Suprema Corte dos Estados Unidos foi pioneira ao estabelecer que essa violência era uma forma de discriminação, portanto, um crime. Passadas três décadas, a França deu novo salto ao abarcar as crescentes ocorrências nos meios digitais, no que foi seguida por alemães e americanos. No Brasil, foi só em 2001 que o assédio sexual — que não necessariamente envolve contato físico, como no crime de importunação sexual, mas sempre uma extrapolação de limites — ingressou no Código Penal, sendo passível de até dois anos de prisão. Mas restringia-se às relações que envolviam clara hierarquia — entre chefe e chefiado, professor e aluno, médico e paciente. Há quatro anos, houve mais um progresso: o CNJ e os tribunais passaram a enquadrar como assédio também a ultrapassagem das fronteiras no trabalho entre pessoas sem elo formal de poder. “O assédio sexual pode ocorrer em múltiplas dinâmicas”, diz a advogada Flávia Pinto, presidente da OAB Mulher no Rio de Janeiro.

Em qualquer circunstância, o atropelo da vontade individual de forma tão acintosa é algo violento e doído. Quando ocorre no local de trabalho, sob um só teto dia após dia, as fissuras se fazem sentir de um modo próprio. “As mulheres ficam com medo de falar, perder o emprego e ver sua reputação queimada no mercado”, explica Luciana Terra, diretora do movimento #MeToo no Brasil. Os relatos mostram que, para muitas, é difícil reconhecer o assédio ao primeiro sinal — em geral, ele se anuncia discreto e vai subindo degraus. Ainda no primeiro mandato, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), 32 anos, foi chamada a uma reunião em Brasília. Ao apresentar um projeto, foi interrompida por um colega: “Quem você está querendo provocar com esse batom?”, questionou o parlamentar. “Fiquei sem chão, envergonhada e me sentindo culpada pela escolha da maquiagem”, lembra, e ali teve a certeza: não seria fácil. Tabata conta que outras vezes foi abordada por seus pares em tom de paquera. “Sempre tem alguma coisa, uma gracinha”, diz. Custou, no entanto, a desencavar o assunto. “Não queria ficar marcada como a problemática”, reconhece.

A caminhada das mulheres rumo a posições elevadas nas engrenagens corporativas é um feito e tanto, mas não as livrou do machismo que, de tão entranhado no tecido social, contribui para ao mesmo tempo ensejar o assédio sexual e produzir uma visão distorcida sobre a violação, tanto para eles como para elas. É sob esta moldura antiquada que condutas intoleráveis são normalizadas. “Somos até hoje ensinadas a duvidar de nossa percepção e priorizar a harmonia do ambiente”, comenta Alessandra Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia. Do lado masculino, é comum escutar: “foi só uma cantada”, “é frescura”, “não fiz nada”. Quando gravava a novela Anjo Mau, em 1997, a atriz Luana Piovani, 49 anos, recorda dos recorrentes tapinhas na perna dados pelo diretor Carlos Manga (1928-2015), que um dia pediu, direto: “Senta aqui”, apontando para o braço da poltrona onde ele estava. À época com 21 anos e ele com 69, Luana diz ter assentido em gesto rápido, mas escapou assim que deu. “Apenas duas décadas depois, me dei conta da gravidade: sofri assédio sexual”, afirma.

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AVANÇO - Mundo corporativo: novos códigos de conduta e canais de denúncia

Sempre que o assunto ganha os holofotes, peças se movem para frente no tabuleiro, e o duelo contra esta modalidade de violência toma corpo. Em 2017, acusações em série de celebridades de Hollywood contra o ex-todo-­poderoso produtor Harvey Weinstein, hoje preso por crimes que vão de assédio a estupro, deram gás planetário à campanha #MeToo. Milhares de mulheres resolveram aí dar voz à revolta pelos abusos sofridos. Não é pouca coisa: o uso da hashtag do movimento ultrapassou o patamar dos 40 milhões em 85 países. No mesmo ano, uma versão brasileira também se converteu em bandeira, insuflada pelo slogan “Mexeu com uma, mexeu com todas” e agitada por artistas e funcionárias da TV Globo em reação à denúncia da figurinista Susllem Tonani contra o ex-galã José Mayer e contra toda uma cultura de assédios naquele metiê. Outro caso que fez o assédio ascender aos tópicos mais debatidos no país, em 2024, foi o de Anielle Franco, a ministra da Igualdade Racial, que passou meses ouvindo do colega de Esplanada Silvio Almeida, então titular da pasta de Direitos Humanos, sussurros de teor erótico que culminaram com a mão dele tocando suas partes íntimas debaixo da mesa. “É muito difícil falar sobre isso, ninguém se sente à vontade para relatar uma violência”, admitiu ela a VEJA.

É comum que o enredo que vai esfacelando a autoconfiança feminina comece com o assédio moral, em que elas são obrigadas a enfrentar situações constrangedoras e intimidatórias que nunca cessam. Quando à humilhação profissional se somam investidas sexuais, as bases tremem. A história de Luísa Rosa, 35 anos, a primeira mulher a ocupar uma diretoria no ultramasculino universo da CBF, entre 2022 e 2023, seguiu o figurino. “Eu era o tempo todo tratada como alguém sem competência para estar ali. Minhas ordens eram desacreditadas, sem explicação”, conta. Em reuniões e viagens, em geral só com homens, colegas lhe falavam de quão satisfeitos estavam em ter uma “mulher bonita na área” e, apesar das recusas, insistiam em convites para jantar, cruzando uma divisa que ela não mais suportou. Foi quando levou o caso à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro. Resultado: acabou demitida.

Globalmente, empresas começam a se amoldar a uma realidade em que o assédio sexual não é mais digerido como algo normal, mas, ao contrário, se flagrado, não é mais tolerado. Muitas, inclusive no Brasil, já adotam políticas tanto para a prevenção do crime, ao preparar os departamentos de compliance para receber as denúncias e elaborar regras de conduta, como para oferecer às vítimas o amparo necessário. Especialistas batem no ponto de que é preciso ainda acelerar a criação de meios anônimos para o registro da queixa, capazes de passar segurança às mulheres de que não serão expostas, seu maior temor. “Algumas empresas estão fazendo treinamentos, sobretudo para lideranças, e promovendo conscientização sobre o tema. Mas, em paralelo, é importante reforçar a cultura de denunciar, que precisa avançar entre os brasileiros”, analisa Paula Esteves, CEO da Cia de Talentos, consultoria de carreira e recrutamento.

A pesquisa sobre assédio de Harvard enfatiza que o mais usual é que as mulheres façam um gerenciamento da situação que tanto as atormenta, evitando o agressor (50%) e pondo panos quentes no ocorrido (49%). Mas há quem se manifeste na mesma hora. Os anos eram 1990, e a economista Elena Landau, 67 anos, diretora do BNDES conhecida como “a rainha das privatizações”, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi a uma reunião em que um colega teimava em pousar a mão em sua perna não uma nem duas, mas várias vezes, apesar de ela repeli-­lo. Só parou quando falou alto. “Eles acham que dizer ‘não’ é um charme, um jogo de sedução, mas o enfrentei e ele saiu fingindo estar bêbado”, recorda a economista, que tinha a sensação de que a viam como “disponível” nas rodas do poder por estar a trabalho na cidade, sem filhos nem marido.

Na maior parte das vezes, como não há testemunhas, o relato das vítimas tem um peso enorme e é considerado a principal prova nos processos. Isso não exclui a possibilidade de existirem denúncias falsas, embora seja algo raro de acontecer, segundo os especialistas. Cabe aos juízes a desafiadora tarefa de aplicar a lei, com o cuidado de não condenar inocentes. No caso que mobiliza agora o STJ, há muita água por rolar. Nos bastidores, colegas comentam que a aposentadoria compulsória de Buzzi com salário integral (44 000 reais) — a pena máxima prevista para um integrante do Judiciário que sofre processo administrativo — é dada como certa. O rito jurídico, no entanto, exige que ele passe por duas sindicâncias no CNJ (uma para cada denúncia) e pelo escrutínio de seus pares no tribunal. A próxima reunião do colegiado está marcada para 10 de março.

Como o ministro goza de foro privilegiado, as imputações criminais de assédio e importunação sexual serão analisadas pelo STF. Se condenado, ele pode pegar de um a cinco anos de cadeia, com boas chances de cumprimento em regime aberto. Internado para “acompanhamento cardíaco e emocional” após a eclosão do escândalo, o magistrado solicitou que lhe seja concedido “o benefício da dúvida”. Desse processo, como cabe a todos os outros, é esperado que a lei seja aplicada com discernimento e rigor.

Longe das sombras

VEJA ouviu o relato de dez mulheres de diferentes áreas que falaram, algumas pela primeira vez, dos episódios de assédio sexual que sofreram e de como isso as marcou

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Luana Piovani – Atriz, 49 anos (@luapio/Instagram)

Luana Piovani

Atriz, 49 anos

“Fui assediada muito cedo, quando tinha apenas 21 anos, mas nem me dei conta na hora. Me fazia de desentendida para sair da situação. Lembro bem do diretor Carlos Manga pedindo para eu me sentar no colo dele. Respondi com piadinha para mudar o assunto. Fui tirada da novela sem nenhuma explicação. Só muito tempo depois é que a ficha caiu e entendi a gravidade do episódio.”


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Tabata Amaral – Deputada Federal, 32 anos

Tabata Amaral

Deputada Federal, 32 anos

“Na política, convivo com piadas, abraços demorados e convites para sair. Numa reunião de líderes, em que era a única mulher, um colega me interrompeu para perguntar quem eu queria provocar com meu batom. Me senti mal, como se a culpa fosse minha.”


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Soraya Thronicke – Senadora, 52 anos

Soraya Thronicke

Senadora, 52 anos

“Durante uma reunião transmitida pela TV, um senador agarrou minha panturrilha por baixo da mesa. Com um sorriso no rosto, eu o alertei: ‘Tire a mão se não quiser encarar um escândalo ao vivo’. Não fui mais enfática por medo da repercussão.”


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Bruna-Lombardi – Atriz, 73 anos

Bruna-Lombardi

Atriz, 73 anos

“Nos anos 1990 foram tantas as investidas que nem consigo numerá-las. Minha estratégia era responder com elegância, de forma explícita, mas com delicadeza. Tinha de me esforçar para abstrair aquelas histórias, para não virarem um trauma em minha vida.”


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Talíria Petrone – Deputada Federal, 40 anos

Talíria Petrone

Deputada Federal, 40 anos

“Tinha um deputado que ficava me encarando enquanto lambia os lábios. Era muito constrangedor e até surreal. Demorei a acreditar que aquilo estivesse acontecendo de verdade. Ele só parou depois que parti para cima dele, gritando: ‘Perdeu o quê, aqui?’.”


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Suzana Pires – Atriz, 49 anos

Suzana Pires

Atriz, 49 anos

“Assédio nos bastidores da TV sempre foi uma coisa recorrente, mas um dia um dos chefes da produção me atacou. Consegui me desvencilhar à força, mas, por medo, não contei para ninguém. Perdi cabelo, engordei e entrei em depressão. Só com muita terapia consegui me fortalecer.”


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Luísa Rosa – Arquiteta, 35 anos (@luisa.xsrosa/Instagram)

Luísa Rosa

Arquiteta, 35 anos

“Fui a primeira mulher a assumir um cargo na diretoria da CBF. Além de ter a competência questionada publicamente por homens que comandam o futebol brasileiro, recebia convites inconvenientes para jantar durante viagens e tinha de ouvir comentários machistas sobre minha aparência. Hoje, processo a entidade por assédio moral e sexual. Espero que se faça justiça.”


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Tayná Leite – Advogada, 41 anos (@_tayna_leite/Instagram)

Tayná Leite

Advogada, 41 anos

“Aos 28, assumi a diretoria jurídica de uma multinacional, em um ambiente muito masculino. Todo dia, ouvia comentários sobre meu corpo e minha roupa, mas a regra era engolir o desconforto, como se fosse o preço a pagar pelo cargo tão disputado. Me orgulhava por não me deixar abalar. Agora, denuncio toda e qualquer situação de assédio.”


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Maytê Zaiden – Empresária, 36 anos

Maytê Zaiden

Empresária, 36 anos

“O CEO de um banco onde era diretora tentou roubar um beijo quando entrei em sua sala. Surpreendida, só consegui sair correndo, chorando. Dias depois, fui demitida por justa causa. Até meu marido, à época, disse que a culpa era minha. Pedi divórcio, me mudei de cidade com os filhos, mas ainda sofro com isso.”


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Elena Landau – Economista, 67 anos

Elena Landau

Economista, 67 anos

“Em Brasília, até hoje vigora a ideia machista de que uma mulher desacompanhada está disponível, mesmo sendo casada. Quando trabalhava no governo FHC, tive uma reunião em que precisei tirar a mão-boba de um colega da minha perna por diversas vezes. Só parou depois que eu o constrangi em voz alta.


Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982