Paralisados, os democratas se voltam para as eleições de meio de mandato, em 2026,
torcendo para que o modo trator se reverta em votos para eles

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Explosivo em guerras e movimentos no xadrez geopolítico, com lances de tirar o fôlego, sem dar um minuto de sossego — assim foi 2025, ano em que o planeta girou em torno de uma impulsiva e autocentrada pessoa: Donald Trump. No final de janeiro, o presidente dos Estados Unidos voltou ao poder como quem sobe ao palco certo de que o espetáculo é só dele, guiado pelo desejo de moldar o mundo à sua imagem, custe o que custar. Em pouco menos de doze meses, ergueu tarifas como muros, esticou até além dos limites a amplitude do Poder Executivo, embaralhou alianças tradicionais, virou impositivo mediador de conflitos, investiu contra imigrantes — enfim, imprimiu a seu governo um ritmo de terremoto contínuo.
Com um amplo e irrestrito tarifaço, que prevê taxas de 10% sobre importações americanas do mundo todo e adicionais de até 110% a produtos de países necessitados de “punição” por motivos variados, Trump transformou o comércio internacional em ferramenta de barganha à qual o Brasil foi exposto com uma das mais altas alíquotas (50%, em boa parte já reduzida), reação ao julgamento que condenou seu aliado Jair Bolsonaro. Fazendo e acontecendo, o presidente se aproximou de autocratas e recompensou quem se curvou à sua agenda, enquanto chacoalhava a histórica coalizão com a Europa (qualificada em documento oficial como à beira de um “apagão civilizatório” causado pela imigração) e impunha um bloqueio naval à Venezuela.
Autocandidato ostensivo ao Nobel da Paz, com sete ou oito supostas pacificações no currículo (a maioria propensa a desandar à menor provocação), sua pregação não comoveu o russo Vladimir Putin, que segue atacando a invadida Ucrânia, mas conseguiu acalmar a conflagrada Faixa de Gaza. Paralisados, os democratas se voltam para as eleições de meio de mandato, em 2026, torcendo para que o modo trator do presidente se reverta em votos para eles. O historiador francês Marc Bloch, na obra Introdução à História, ensina, ao citar um provérbio árabe, que “os homens parecem mais com seu tempo do que com seus pais”. Em 2025, nosso tempo foi a cara de Trump.