Educação, aliás, é um bom exemplo das prioridades deixadas em segundo plano. Fora as vergonhas anuais que o Brasil passa em rankings internacionais, quando nossos estudantes são avaliados em áreas centrais do conhecimento, como matemática e ciências, o Censo do IBGE mostrou que o país ainda tem 9 milhões de analfabetos. Estudo da ONG Ação Educativa, apoiado pela Unesco e pela Unicef, apontou 29 milhões de analfabetos funcionais, brasileiros que não conseguem compreender e tampouco elaborar frases e enunciados curtos. Enquanto isso, o Plano Nacional de Educação, que baliza o investimento para cada período de dez anos, venceu em junho de 2024 sem que outro fosse aprovado. A proposta que tramita na Câmara, com muito atraso, é para o decênio 2024-2034, mas está parada em uma comissão especial. “Precisamos debater como avançar mais rápido em direção ao estudo em tempo integral. Nenhum país com o mesmo nível de desenvolvimento que o nosso tem só quatro horas de aula. A maioria dos países com bons sistemas educacionais tem de sete a nove”, afirma a economista e administradora Claudia Costin, que foi diretora global de educação do Banco Mundial. Dados do IBGE mostram ainda que, apesar de o número de crianças e adolescentes na escola ter aumentado, o Brasil ainda não atingiu as metas de universalização do ensino — para a faixa dos 14 aos 17 anos, a taxa é de 77%.